Vazio interno
- 18 de ago.
- 1 min de leitura
Acordei de súbito não suportando mais a dor que se manifestava dentro de mim.
Um sofrimento profundo entranhava no meu interior a ponto de me despertar.
Tentei ignorar, mas a cada golpe, mais sentia meu âmago arder.
Uma força de sucção me retraía aos poucos, incessantemente.
Um vazio se alimentando dos meus prazeres, crescendo conforme chamava minha atenção.
Sentimentos de remorso, memórias insalubres, pensamentos disruptivos, tudo veio à tona.
Uma lâmina seca e aguda me rasgava por dentro.
Minha garganta se fechava inibindo meu pedido de socorro.
Deixei de ser eu, de existir, de raciocinar. A angústia não me permitia mais nada.
Essa aflição é conhecida, comum e particular, mas hoje resolveu ser sádica comigo.
Estava torcendo para desmaiar com esse aperto cada vez mais sufocante.
Por mais triste que eu pudesse estar, eu reconhecia o fardo que levava comigo.
Talvez por isso fosse tão deprimente: a dor me pertencia.
Até que, num inesperado ronco barulhento, percebi.
Fui à cozinha e fiz um pão qualquer. A dor se amansou.
Era só uma questão de fome.
Eu que, acostumado, levei o problema para a cabeça.



